Quem escreveu esta "história" ignorou o provérbio antigo "an apple a day keeps the doctor away!" continuando... E este constitui um argumento tão demagógico como os anteriormente utilizados!
"E pergunta você: mas o que é que isto tem a ver com o óleo vegetal? Tudo.
Porque o óleo vegetal, apesar de não ter honras de protagonismo em filmes de animação, é muitas vezes visto como um dos maus da fita na alimentação.
E, no entanto, tal como a maçã, sabemos hoje que, não só essa imagem é errada, como o óleo vegetal pode e deve fazer parte de uma dieta equilibrada.
Não acredita? É natural. São muitos anos de ideias falsas. Mas, já agora, deixe-nos fazer-lhe um pequeno teste. Responda rapidamente: O óleo vegetal tem muito colestrol? Apostamos que respondeu: «Ui!». Pois bem, a verdade é que o óleo vegetal tem apenas 0.0003% de colestrol! Quase zero, portanto. Até um iogurte natural, que tem um teor de colestrol insignificante, tem 20 vezes mais colestrol que o óleo vegetal.
Surpreendente, não é? Mas as ideias erradas sobre o óleo vegetal não acabam aqui."
Surpreendente é o facto de a maioria dos consumidores não saber de cor e salteado que OS PRODUTOS DE ORIGEM EXCLUSIVAMENTE VEGETAL NÃO TÊM COLESTEROL.... O COLESTEROL É UM TIPO DE GORDURA DE ORIGEM ANIMAL!
"99% das pessoas, quando pensam em óleo vegetal, pensam em pneus, aterosclorose e outras coisas que nem é bom pensar. Mas, sem querer estar a dizer-lhe que as gorduras não engordam, há gorduras e gorduras."
1g de gordura (qualquer que seja) fornece 9 kcal.... 1g de alcool, 7 kcal.... 1g de proteínas, 4 kcal.... e 1g de hidratos de carbono, 4 kcal.... as gorduras continuam a ser o macronutriente que mais calorias fornecem!
"E uma alimentação mais pobre em gorduras saturadas(manteiga, banha, toucinho e outras gorduras animais) e hidrogenadas (bolachas, bolos e companhia limitada) e mais rica em gorduras insaturadas nas quais o óleo vegetal orgulhosamente se inclui, tem inúmeros benefícios para a saúde: por exemplo melhora os níveis de colesterol no sangue e reduz o "mau colesterol" contribuindo para o bom funcionamento do sistema cardiovascular."
Aqui, e a bem do esclarecimento do consumidor... convinha relembrar que as gorduras hidrogenadas resultam da utilização de óleos vegetais (liquidos) para produzir gorduras vegetais sólidas. No processo de hidrogenação da gordura vegetal liquida, formam-se os ÁCIDOS GORDOS TRANS! Que apesar de não serem referidos neste anuncio... são tão somente os ácidos gordos mais prejudiciais à saúde (ainda mais do que a gordura saturada e o colesterol alimentar!)
Ah... outro elemento importante ocultado nesta bela história é que durante a fritura, as altas temperaturas atingidas pelos óleos vegetais, levam à decomposição da gordura e à formação de (entre muitos outros compostos prejudiciais).... ÁCIDOS GORDOS TRANS!
Ora... se há uma recomendação à população em geral aconselhando o consumo esporádico e parcimonioso de alimentos fritos.... é porque existe uma base científica e epidemiológica que indica existirem efeitos adversos resultantes do consumo abundante de fritos (que vão veicular quantidades abundantes de gorduras vegetais expostas às elevadas temperaturas de fritura).
"Nesta altura está você a pensar: quer dizer que me posso empanturara de batatas fritas!
Não querendo tirar-lhe as batatas da boca, a realidade é que não. O óleo vegetal não é o mau da fita, mas é uma gordura. E não convém abusar. Mesmo assim, a Organização Mundial de Saúde recomenda que entre 15 a 30% das calorias que ingerimos por dia venham de gorduras."
Oh oh, e aqui o argumento da OMS a ser estrategicamente utilizado para credibilizar o texto!
O que mais uma vez não se explica é que: o valor 15-30% do total de energia alimentar consumida diariamente ser proveniente de gorduras é uma meta populacional! Não é um objectivo individual... ou seja, cada individuo deve ajustar esta margem às suas necessidades alimentares e energéticas, ao seu padrão dietético e ao seu estilo de vida!
Adicionalmente, no relatório da OMS em que se referem estes 15-30% também se distingue qual o tipo de gordura que deve contribuir para esta percentagem, que passo a descrever:
gorduras saturadas (banha, toucinho, manteigas, etc): menos que 10%
gorduras polinsaturadas (óleos vegetais): entre 6 a 10% (oh surpresa das surpresas... a diferença entre o total de gorduras saturadas, e o de gorduras polinsaturadas não é assim tão significativo!)
gorduras monossaturadas (azeite): o restante até um máximo de 30% do valor energético consumido diariamente.
Importa sublinhar: ÁCIDOS GORDOS TRANS - menos que 1%
Também é importante referir que 30% da energia consumida diariamente não é o mesmo que 30% dos alimentos consumidos..... utilizando um exemplo prático, se eu consumo 2000kcal por dia, então apenas 600kcal devem vir da gordura.... E ainda que não pareça.... 600kcal, é pouco.... são umas 66,6g de gordura ao todo....
"Porque, e aqui mais uma vez vai ser surpreendido, algumas gorduras são indispensáveis para o nosso corpo."
As gorduras indispensáveis ao nosso corpo, não têm como principal "vector de transmissão" batatas fritas, rissóis panados ou filetes de pescada.... Mas sim: azeite, peixe, óleos vegetais em cru, frutos secos e oleoginosos, entre outros.
"Portanto, deleite-se com as suas batatas fritas sem complexos, mas sem abusos.
E no final da refeição, já agora, coma uma maçã."
Centro de Nutrição Fula
E que fique claro.... isto não é um manifesto contra as pobres das batatas, que cozidas ou guisadas só nos fazem bem! E mesmo fritas (preferencialmente em óleo de amendoim não re-utilizado).... se a pessoa for saudável e as comer esporadicamente, também ... não é por aí que o gato vai às filhoses! Moderação e variedade são chaves para alimentação saudável!
E muito menos é um manifesto contra o óleo vegetal..... Os óleos vegetais têm um lugar no dia alimentar.... mas é especialmente em cru e não para fritar! Talvez para temperar uma salada quando o azeite tiver acabado.... (o meu voto vai sempre primeiro para o azeite!)
A minha manifestação é contra este tipo de publicidade que tenta estupidificar o consumidor, e que sub-reptíciamente tenta passar a mensagem de que as recomendações nutricionais que têm vindo a ser feitas ao longo da história podem ser desvalorizadas.